segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

POEMA


DELEITE
Estar contigo é um prazer
Ficar assim, mornamente nos teus braços;
Aconchegada, largada, dormente e demente.
Esquecida de tudo, num ato de perder,
Toda a razão dos percalços
Da vida, assim, docemente.

Lá fora a chuva ou será o sol, ou estrelas e lua?
Não sei, também, que importa?
Só eu e você, nesse abandono.
Nada acontece na rua
O momento não suporta
Nada mais que nosso contorno

Um olhar, um sorriso, palavras, carinhos;
Mundo perfeito, nosso mundo.
Brisa suave, quieta, só espiando,
Murmúrios baixinhos
Pra não atrapalhar, como música de fundo,
Da paisagem, de mim em você aninhando.

POEMA


SEMPRE ESPERANDO...
Seus olhos já não são tão brilhantes
O tempo passou
O eterno instante de esperar
Tornou-se obscuro ponto do nunca
A ponte caiu
Não há mais além do horizonte
Prédios enormes o esconderam
Não há ansiedade,
Agora tanto faz
Aquele que vem, vem?
O incerto futuro perdeu-se no tempo
A eternidade “efêmera” deixou marcas
Olhos nevoados pelas cataratas...

sábado, 13 de dezembro de 2008

POEMA

CAOS
Presença incômoda
Ausência sentida
Ásperos carinhos
Afetuosas grosserias
Atenção imperceptível
Terna indiferença
Assim és tu
És a própria dialética
Assim te amo
Assim te aceito?
Tem gosto de sangue na boca
A morte do que foi tão pouco...
Tão intenso que nos enganou
Tão amargo que nos feriu
Feridas tantas vezes abertas
Nem cicatriza mais
A cura possível é a despedida
Ferida maior para cobrir todas as outras
Certeza de que a cicatrização
Será de todas as outras
Até do meu amor por você...

POEMA


MIRA-SE
O passado desfila
diante da imagem do presente no espelho,
reflete o futuro de dor e morte.

Odeio espelhos...

POEMA

TURBILHÃO
Efêmera vida
Escorre pelas mãos,
Pelos poros,
Pelas narinas.
Amores vãs,
Platônicas querelas,
Eterna procura.
Certezas e dúvidas,
Dúvidas e incertezas.
Carícias rasgadas,
Corações ardentes.
Mente, alma e coração,
Uníssonos, desafinados;
Afinados, destoantes.
Pares sem ordem,
Ordenados ímpares.
Efervescente.
Quieta.
Silencia o grito,
Grito calado.
Maremoto incessante,
Cessa a tempestade.
Assim é vida
Pragmática,
Irreverente,
Inconstante,
Adversa,
Divertida,
Dicotômica,
Infinita.

POEMA

ADVÉRBIOS
Sou errante
Andante
Caminhante
Que tem na mente
Uma só semente
Pulsante
Vibrante
Continuamente
De viver livremente
.

POEMA


ESSÊNCIA
A cada dia percebo, mais e mais,
o desperdício de nossas vidas.
Muito tempo tentando entender
o que não é para ser entendido,
Explicar o que não pode ser explicado.
Qual a importância de saber quanto mede o sol e a lua?
A que distância eles estão?
Basta que eu sinta o calor do sol,
O brilho da lua nas noites escuras.
Não quero saber de onde vim e pra onde vou.
Eu vim e vou até onde quiser e puder.
Sou corpo, alma e mente.
Quero apenas o bastante
Alimentar o que sou.
O silêncio dos falantes,
a calma das crianças,
o murmúrio dos livros,
a agitação dos poemas,
as vitaminas e proteínas dos que se foram.
Qualquer música eterna dos amantes da vida.
A certeza de ter amigos,
Cumplicidade dos meus livros
Solidão imensa do Universo.
Eu estou e sou.
Amo.
Canto.
Rio.
Vivo.

...E tenho você.